sumidouro

não se expõe

vez em nunca deixa algum pingo d’água escapar,

é a natureza…

do medo?

de se machucar.

caminha escondido 

nas tormentas de si mesmo

mal respira,

corpulento.

sem ruídos, 

mansamente,

desgasta por fim 

o sólido aparente.

articulações articuladas

friezas

friezas

transparências

transparências

vazio agudo
ando meio
cheio de tudo

paulo leminski

notas sobre um diálogo.

e aceitar que de tudo fica um pouco é a parte mais difícil. essa parte que fica, parte difícil e pouca, ou muita. mas o que fica será tudo ou um pouco? mas se fica, talvez seja bastante pra compor um todo, alguma certeza, ou talvez isso que fica, mesmo significante, não seja suficiente, e vire pouco, perto de um muito. e o medo é agravante…medo de errar, de escolher e errar, e de não ter certeza e errar, e errar na certeza, talvez o pior. e se se deixar sentir não for suficiente? for dual? for complementar? como dividir? esse medo aprisiona, medo de sentir, medo e sentir.

nó (ou engasgando a si mesmo)

medo
laçando-se à
ausência-estima
exalando anciosamente
insegurança

oxidação (ou redução de mim)

inteiro corroendo,
por lágrimas,
virando outro,
corroído.

e agora,
corrosivo,
acaba por se destruir,
por inteiro.

há muito tempo que já se enraizara e crescera nele toda a tristeza que sentia agora; nos últimos tempos ela se acumulara e se reconcentrara, assumindo a forma de uma horrível, bárbara e fantástica interrogação que torturava o seu coração e a sua alma, reclamando uma resposta urgente.

há muito tempo que já se enraizara e crescera nele toda a tristeza que sentia agora; nos últimos tempos ela se acumulara e se reconcentrara, assumindo a forma de uma horrível, bárbara e fantástica interrogação que torturava o seu coração e a sua alma, reclamando uma resposta urgente.